Muitas mulheres acreditam que engravidar acontecerá naturalmente assim que decidirem aumentar a família. Para algumas, esse processo realmente ocorre rapidamente. Para outras, o caminho pode ser mais longo e trazer dúvidas, ansiedade e insegurança.
Quando a gravidez não acontece após um período de tentativas, é natural surgir a pergunta: existe algum problema com a minha fertilidade?
A infertilidade feminina pode estar relacionada a diferentes fatores, alguns mais comuns e outros menos conhecidos. Identificar a causa é um passo importante para compreender as possibilidades de tratamento e definir o melhor caminho para cada situação.
O que é infertilidade feminina?
A infertilidade feminina é caracterizada pela dificuldade de engravidar após um período de tentativas sem o uso de métodos contraceptivos.
Diversos fatores podem interferir na fertilidade da mulher, desde alterações hormonais até condições que afetam os ovários, as trompas ou o útero.
É importante lembrar que dificuldade para engravidar não significa impossibilidade de gestação. Muitas causas podem ser investigadas e tratadas de acordo com a realidade de cada paciente.
A idade influencia a fertilidade?
A idade é um dos fatores que mais impactam a fertilidade feminina.
Ao longo da vida, a mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que diminui naturalmente com o passar dos anos. Além da redução da quantidade, também ocorre uma diminuição progressiva da qualidade dos óvulos.
Por esse motivo, a fertilidade tende a diminuir gradualmente, especialmente após os 38 anos.
Isso não significa que a gravidez seja impossível após essa idade, mas reforça a importância de uma avaliação individualizada para entender as possibilidades de cada mulher.
Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser denominada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) após consenso internacional publicado em 2026 e é uma das causas mais frequentes de dificuldade para engravidar.
Ela está relacionada a alterações hormonais que podem interferir na ovulação.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Menstruação irregular;
- Aumento de pelos corporais;
- Acne;
- Ganho de peso;
- Dificuldade para engravidar.
Nem todas as mulheres apresentam os mesmos sintomas, por isso a avaliação médica é fundamental para o diagnóstico correto.
Endometriose
A endometriose é uma condição em que um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina.
Dependendo da extensão da doença, ela pode provocar dor, alterações menstruais e dificuldades relacionadas à fertilidade.
A endometriose pode afetar a qualidade dos óvulos, a função das trompas ou o ambiente necessário para a implantação embrionária.
Alterações nas trompas
As trompas desempenham um papel fundamental na reprodução, pois são responsáveis pelo encontro entre o óvulo e o espermatozoide.
Quando existe obstrução ou comprometimento dessas estruturas, a fecundação pode se tornar mais difícil.
Essas alterações podem ocorrer por diferentes motivos, incluindo infecções, cirurgias prévias ou condições inflamatórias.
Baixa reserva ovariana
A reserva ovariana representa a quantidade de óvulos disponíveis nos ovários.
Algumas mulheres apresentam redução dessa reserva mais cedo do que o esperado para a idade.
Essa condição pode ocorrer por fatores genéticos, tratamentos médicos prévios, cirurgias ovarianas ou simplesmente por características individuais.
A avaliação da reserva ovariana ajuda a compreender melhor o potencial reprodutivo e pode auxiliar no planejamento da fertilidade.
Alterações hormonais
O funcionamento adequado dos hormônios é essencial para a ovulação e para a preparação do organismo para uma gestação.
Alterações na tireoide, níveis elevados de prolactina ou outros desequilíbrios hormonais podem interferir na fertilidade e no ciclo menstrual.
Por isso, a investigação costuma incluir exames laboratoriais que ajudam a avaliar o funcionamento hormonal de forma mais completa.
Miomas e alterações uterinas
Algumas alterações na estrutura do útero também podem influenciar a fertilidade.
Dependendo da localização e do tamanho, miomas podem interferir na implantação embrionária ou no desenvolvimento da gestação.
Outras alterações uterinas, como pólipos ou malformações, também podem ser investigadas quando existe dificuldade para engravidar.
O estilo de vida pode influenciar?
Hábitos de vida também podem impactar a fertilidade feminina.
Fatores como tabagismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e estresse intenso podem influenciar o funcionamento reprodutivo.
Embora nem sempre sejam a causa principal da infertilidade, esses fatores fazem parte da avaliação global da saúde reprodutiva.
Como é feita a investigação da infertilidade feminina?
A investigação começa com uma conversa detalhada sobre o histórico da paciente, seus hábitos, antecedentes médicos e tempo de tentativa para engravidar.
Dependendo de cada caso, podem ser solicitados exames como:
- Avaliação hormonal;
- Ultrassonografia ginecológica;
- Mapeamento de endometriose;
- Exames para avaliação da reserva ovariana;
- Investigação da permeabilidade das trompas;
- Exames complementares conforme necessidade individual.
O objetivo não é apenas identificar uma possível causa, mas compreender o contexto completo da paciente para orientar as decisões de forma mais segura.
Quando procurar ajuda especializada?
A recomendação pode variar conforme a idade e as características individuais de cada mulher.
De forma geral, mulheres com menos de 35 anos podem considerar uma avaliação após cerca de um ano de tentativas sem sucesso.
Já para mulheres acima dos 35 anos, a investigação costuma ser recomendada após seis meses de tentativas.
Em situações específicas, como histórico de endometriose, ciclos menstruais irregulares, SOMP ou tratamentos prévios que possam afetar a fertilidade, a avaliação pode ser indicada ainda mais cedo. Assim como idade avançada, a partir de 40 anos, com avaliação imediata.
Cada história merece uma avaliação individual
A infertilidade feminina possui diferentes causas e nem sempre existe uma resposta única para todas as pacientes.
Por isso, o mais importante é compreender que cada história é única e merece uma investigação cuidadosa, respeitando o momento, os objetivos e as necessidades de cada mulher.
Na Fertilizar, acreditamos que informação clara, acolhimento e acompanhamento individualizado fazem parte de uma jornada mais segura para quem deseja construir sua família.
Se você tem dúvidas sobre fertilidade ou está enfrentando dificuldades para engravidar, conversar com uma equipe especializada pode ajudar a trazer mais clareza sobre os próximos passos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A avaliação com um especialista é fundamental para orientar qualquer decisão relacionada à fertilidade e à reprodução assistida.
Por Dra. Vitoria Akemi Macedo
Ginecologia e Obstetrícia
CRM/ SC 37056 RQE 25259
Responsável Técnico: Dr. Salomão Nassif Sfeir Filho | Ginecologista CRM/SC 5240 | RQE 2407 / 2408 / 24734