Epigenética

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Vários casais se deparam com dificuldades de conceber. Dentre os possíveis fatores da infertilidade, encontram-se a baixa quantidade e qualidade dos óvulos, os quais podem levar um casal a adiar os planos de uma gestação.

A capacidade reprodutiva da mulher vai diminuindo progressivamente com o avanço da idade, sabe-se que essa não é a única causa da infertilidade. Algumas mulheres mais jovens têm a reserva diminuída por falência ovariana prematura, endometriose e tratamentos oncológicos.

Hoje em dia essa condição é cada vez mais comum em virtude do aumento significativo de mulheres que desejam postergar a maternidade. As mulheres com falência ovariana geralmente têm dificuldade de aceitar o diagnóstico, e muitas vezes saem da consulta médica frustradas, com a sensação de que nunca conseguirão realizar seu sonho de maternidade.

Para esses e outros casos, as Técnicas de Medicina Reprodutiva colocam à disposição a alternativa da ovodoação que consiste em fertilizar óvulos de doadoras com idade igual ou inferior a 37 anos e transferi-los para mulheres que apresentam falência ovariana, ou seja, que não estão mais produzindo óvulos. ou ainda para mulheres com idade avançada, que tiveram diminuição do seu potencial de fertilização.

O importante para as taxas de sucesso é a idade do óvulo, não necessariamente a do útero a recebê-lo.

Uma das maiores preocupações das mulheres que  receberão óvulos doados é se o filho  terá semelhança física e comportamental parecidos com a dela . Porém, hoje em dia já há evidências científicas que mostram influências da epigenética, o “além de genética” no desenvolvimento do embrião, ou seja, o útero onde esse embrião vai se desenvolver ao longo de toda a gestação pode transmitir a expressão de genes da mulher que o carrega.

 

O que é Epigenética?

A epigenética é definida como modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações, mas que não alteram a sequência do DNA. Por muitos anos, considerou-se que os genes eram os únicos responsáveis por passar as características biológicas de uma geração à outra.

Entretanto, esse conceito tem mudado e hoje os cientistas sabem que variações não-genéticas (ou epigenéticas) adquiridas durante a vida de um organismo podem frequentemente serem passadas aos seus descendentes.

A herança epigenética depende de pequenas mudanças químicas no DNA e em proteínas que envolvem o DNA. Existem evidências científicas mostrando que hábitos da vida e o ambiente social em que uma pessoa está inserida podem modificar o funcionamento de seus genes.

A partir do momento em que um óvulo é fertilizado por um espermatozoide, essa nova célula (agora denominada de ovo) dará origem a um conjunto de células que irão originar o embrião.

A formação do embrião depende da captação de sinais pelas células, sinais estes que podem vir de dentro das próprias células, de células vizinhas (incluindo as células da mãe) e do meio externo (do ambiente).

Os sinais recebidos pelas células irão determinar não somente a morfologia e fisiologia do futuro embrião e indivíduo, mas também o seu comportamento. Nesse sentido, as células respondem a nutrientes e hormônios, mas também a sinais físicos, como calor e frio, e comportamentais, como estresse e carinho.

A herança epigenética traz implicações profundas para o estudo da evolução e reforça os argumentos do naturalista do século XVIII, Jean Baptiste Lamarck que acreditava que a evolução era dirigida em parte pela herança de características adquiridas durante a vida.

A herança epigenética um organismo pode ajustar a expressão gênica de acordo com o ambiente onde vive, sem mudanças no seu genoma. Por exemplo, experiências vividas pelos pais (dieta, maustratos, tratamento hormonal) podem ser transmitidas para as gerações futuras. Isso tem sido bem demonstrado em uma série de estudos onde famílias com grave escassez de alimentos na geração dos avós, filhos e netos têm maior risco de doenças  cardiovasculares e diabetes.

Outros estudos sugerem que as mães passem aos filhos os efeitos cognitivos durante a gestação, provavelmente liberando hormônios que fazem com que marcadores químicos epigenéticos (não dependentes dos genes) apareçam nos genes de seus filhos, regulando sua expressão depois do nascimento. Outro exemplo claro do papel da herança epigenética pode ser encontrado nos gêmeos idênticos; estudos mostram que durante a transição da infância para a vida adulta, os gêmeos passam a divergir significativamente em seus níveis de sintomas relacionados à ansiedade e à depressão. Como compartilham do mesmo background genético (exatamente a mesma sequência de bases em ambos os genomas) essa divergência só pode ser fruto das experiências individuais durante a vida (e das mudanças epigenéticas).

No caso específico para as receptoras de óvulos o útero assume, portanto, muito mais do que o papel de uma incubadora, e o desenvolvimento do feto dependerá em tudo do corpo da mulher que o carrega: o oxigênio, os nutrientes, a excreção,  o estilo de vida, o uso de hormônios, a exposição a agentes , a alimentação e a forma como tudo isso é ofertado irá influenciar diretamente a ativação e expressão gênica do embrião.

Assim, a receptora determina, sim, como será seu filho até em nível genético!!! A criança que nasce será física e emocionalmente diferente da mulher doadora. Em outras palavras, a mãe que gesta influencia o que a criança será e assim, em nível genético, é seu filho.

 

Referências Bibliográficas:

Epigenetics (wikipedia) – Em Inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Epigenetics

MARCELO FANTAPPIÉ, Ph.D., é Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Pesquisador do Laboratório de Helmintologia e Entomologia Molecular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.

Seibel D. Pensando a Ovodoação – Dilemas e Desafios. In: Psicologia em Reprodução Humana Assistida: Experiências Brasileiras. Melamed RM & Quayle J, editores. São Paulo, SP: Casa do Psicólogo; 2006.

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